O LUZIERO ( Luceafarul) de Mihai Eminescu


Am publicat un document rar intalnit in aceasta forma , este vorba de LUCEAFARUL de Mihai Eminescu tradus in Limba Portuguesa multumita reviziei si adaptarii sensului cuvintelor in limba materna a prietenei mele , sstr. Maria Isabel Mendes ,Lisboa Portugal.
Trebuie stiut ca valoarea lui Eminescu pentru romani este ceeace este Luís de Camões (Wikipedia) pentru natiunea, limba si literatura portuguesa. Intre cele doua destine a existat o anumita asemanare.
Sunt doua motive pentru care am postat acest blog in aceasta forma (tradus) , primul ar fi unul de natura esoterica a evenimentului apropiat 21.12.2010 ,Solstitiul de Iarna, Yule, Sarbatoarea Stelei relationata cu mesajul Luceafarului in sine; a doua este propagarea culturii cu scopul de-a demonstra ca in orice limba mesajul este acelas pentru ca indiferent de cultura,culturalism sau unghiul perspectivei din care vedem un fapt …in final absolut toti vorbim despre aceleasi lucruri. Educatia si cultura nu au frontirere.
Muito agradeçido e obrigado pela ajuda minha qq.i. Isabel, diz!
Dan Constantine Izvernariu _ Lisboa Portugal  Inverno de 2010

 

Era uma vez – diz-se tal qual
Em lenda assombrosa Nascida
de casta real,
Donzela muito formosa,
E filha só, nesses confins
A mais bela das belas,
Qual Virgem entre serafins
E lua entre estrelas.
De arco sumido em escuridão
Os passos endireita
Para a janela, onde então
Estava o Luzeiro a espreita.
Longe nos mares a nascer
Vê-o fulgir na treva,
Pelos carreiros a tremer
Escuros barcos leva.
Dia após dia o vê , e assim
Eis que a paixão é certa;
E ele, de tanto olhar, por fim
Também p’ra o amor desperta.
Afronte em jeito sonhador
Encosta ela na palma,
Quando lhe inunda esse dulçor
O coração a alma.
Com que fulgores não conduz
Ele, mal anoitece,
Para o castelo negro a luz
Quando ela lhe aparece!
E passo a passo segue atrás
Na alcova se insinua,
De gélidas centelhas faz
Teia de chama nua.
Quando ela está consigo a sós
E reclinar se deixa,
As mãos em cruz lhe roça, após
As pálpebras lhe fecha.
Clarões do espelho para cá
No corpo se desejam
No rosto que voltando está,
Nos olhos que latejam.
Ela o fitava a sorrir,
No espelho ele tremia,
Que bem adentro em seu dormir
A alma lhe prendia.
E ela a sonhar com ele, tem
Fala em gemente afogo:
– «Senhor das noites, doce bem,
Porque não vens? Vem logo!
Desce num raio devagar,
ó meu Luzeiro brando,
Entra-me em casa e no pensar,
A vida me alumbrando!»
Ele tremendo a escutou,
Mais forte ainda brilhava
E qual relâmpago saltou,
Nos mares se afundava;
Então a água onde caiu,
Em círculos se alarga,
E jovem lindo emergiu
Da misteriosa vaga
Ligeiro, como por um vão,
Passa do vidro ao lado,
Segura ceptro em sua mão
De limo s coroado.
Jovem de porte senhoril,
Cabelo de ouro a solta,
Traz um lençol de cor de anil
Que aos ombros nus dá volta.
Sombra de céreo palor
Em diáfano semblante –
É um morto em todo o resplendor
De olhar vivo e brilhante.
– «Custou da minha esfera aqui
Vir, tua chamada ouvindo,
O mar é a mãe de que nasci,
E o pai – o céu infindo.
Para te ver melhor ousei
Entrar pelos teus lares,
Com o sereno azul baixei
E fui nascer dos mares.
-Oh , meu tesoro amado, vem
Eo mundo teu enjeita,
Sou o Luziero do além
Sê tu a minha eleita.
Levo-te aos paços de coral
Imensidão de anos
Terás em submissão cabal
O povo dos oceanos.>>
<<-Oh, es tão belo-tanto ou mais
Só anjo em fantasia!
Mas no caminho tei jamais
Seguir eu poderia:
Estranho porte e tu reluzes,
Eu viva sou, tu morto vens
Gelar-me em tuas luzes.>>
Passa um dia,passam três,
Voltando pelo escuro
Manda o Luzierooutra vez
O seu fulgor tão puro.
Ela, tombada em seu langor,
Decerto que o recorda,
No coração pega-lhe o ardor
Pelo Senhor da onda:
– «Em raio a deslizar dos céus
Desce, Luzeiro brando,
No lar e pensamentos meus,
A vida me alumbrando!»
Assim que ouviu no alto a voz,
Extinguiu-se de tormento,
E lá onde sumiu se pos
A roda o firmamento;
A flama rutila no ar
Abrange inteiro o mundo,
E linda imagem devagar
Surge do caos profundo;
Na treva de seus caracóis
Leva coro a que arde,
Banhado em fogo de mil sóis,
Flutuava de verdade.
Do negro manto lhe descai
O seu marmóreo braço;
Triste, com ar absorto vai
E o rosto dele é baço;
Os olhos só, fundos clarões,
Quiméricos refulgem,
São dois abismos de paixões
Que do escuro pungem.
– «Da minha esfera bem custou
Tornar a ouvir-te ainda;
O sol é o pai que me gerou,
E a mãe – a noite infinda;
Oh, meu tesouro amado, vem
E o mundo teu enjeita;
Sou o Luzeiro do além,
Se tu a minha eleita.
Oh, vem, e deixa-me cingir
Em trança de ouro estrelas,
E nos meus céus irás surgir
Mais linda do que elas»
«Oh, és tão belo – tanto ou mais
Só demo em fantasia!
Mas no caminho teu jamais
Seguir eu poderia!
Magoa teu cruel amor
As cordas do meu peito,
Nos olhos pesa, abrasador,
De tua mirada o jeito».
– «Mas como podes tu querer
Que eu desça qui, menina,
Nao ves que é imortal meu ser
E a morte é tua sina?»
– «Ai, que palavras buscarei,
Se nem lhes tenho a arte
Embora fales como eu sei
Não posso alcançar-te;
Mas se quiseres que leal
Namoro haja contigo,
Aterra desce e, mortal,
Fica a viver comigo».
«Um beijo teu queres trocar
Por minha eterna vida?
Mas eu também te vou provar
O quanto me és querida;
Nascendo no pecado, sim,
Eu outra lei abraço:
O eterno a que estou preso enfim
Me vá quebrar o laço!».
E foi-se … foi – longe partiu.
De amores impelido
Dias a fio ele sumiu,
Dos altos desprendido.
Mas entretanto um rapaz,
Catalim, o copeiro,
Que vinho aos convivas traz
Com jeito de matreiro,
E a cauda das vestes reais
Pé ante pé segura;
Criado lá pelos quintais,
De ousada catadura,
E faces de papoula em flor
– Olhar mau nao lhes pegue!
A Catalina, espreitador,
Sem descansar persegue.
– «Ai, mas que linda que ela está,
Benza -a Deus! … e que porte!
Vá Catalim, agora já
Hás-de tentar a sorte!»
Chegando-lhe de manso ao pé,
Apanha-a em canto estreito:
– «O Catalim, mas o que é?
Vai-te, que nao tem jeito!»
– «O que é? Cismando tanta vez
Absorta eu te vejo,
Quero que rías e me des
Um beijo, só um beijo».
– «Vá, deixa-me, o desejo teu
Nao sei qual é em verdade
Ah, do Luzeiro lá no céu
Tenho mortal saudade!»
– «Se é que nao sabes, eu a ti
O amor te ensinava
Por miúdo; vá, aguenta aí
E nao te ponhas brava.
Tal como em mato vai estender
Laço quem aves caça,
Se com o braço te prender,
Com o braço teu me enlaça;
Os olhos teus sempre a fitar
Sob os meus olhos sinta …
Os calcanhares vais alçar,
Se eu te alçar pela cinta;
Se a cara eu baixar depois,
Mantém a cara erguida,
Sófrego e terno olhar os dois
Troquemos toda a vida;
E para ter do amor real
Ciencia mais sobeja,
Ao inclinar-me, por igual
Se eu te beijar me beija».
Ela em vago assombro cai
Ouvindo o rapazinho,
Tanto o enjeita como o atrai,
Com tímido carinho
Murmura: – «Em anos que lá vao
Criança te sabia,
Um estouvado e um palrao
Comigo bem daria …
Mas um luzeiro que surgiu
De olvidadas plagas,
Infindo horizonte abriu
A solidao das vagas;
Se os olhos baixo, el minha dor
No pranto acho disfarce
A larga, quando a onda for
Para ele encaminhar-se;
Com que paixão vem a luzir,
Que eu de sofrer descanse,
Porém mais alto a subir,
Para que o nao alcance.
Gélido e triste aqui reluz
Do mundo que o separa …
P’ra sempre o amo e sua luz
Sempre tão longe pára …
Por isso os dias meus aqui
Sao ermos qual deserto,
Mas santo enlevo a noite vi
Que nao atino ao certo».
– «Criança é que tu és… A sós
Vamos depressa embora,
Nem nome, nem rastro de nós
Saibam p’lo mundo fora,
Sensatos tu e eu, para mais
Sadios e ligeiros,
Já nao te farao falta pais
Nem sonhos de luzeiros».
*
Parte o Luzeiro. Pelo ar
As asas lhe cresciam;
Caminhos de anos por milhar
Num ápice corriam.
Por baixo, céu de estrelas tem,
Por cima, céu de estrelas
Como em clarão seguido vem
Errando através delas. \”
Dos vales do caos via então,
Brotando em chuveiro,
Luzes, lembrando a Criação,
Que foi Día Primeiro,
Aos mares surgem -lhe em redor,
Que a nado cruza; ainda
Voa, absorto em seu ardor
Lá onde tudo finda.
Onde ele vai confins nao há
Nem olho tem alcance,
E do vazio o tempo lá
Em van tenta gerar-se.
Lá nada é, e mesmo assim
É sede que o traga,
É cego olvido sem ter fim
O abismo que se alarga
– «Do escuro eterno, ó meu Pai,
O peso me desata,
E sempre a criação Te vai
Entoar loa grata;
Pede, Senhor, preço qualquer,
Mas dá-me outra sorte,
Que Tu és fonte de viver
E és Tu que dás a morte;
Me tira as auras imortais
E o fogo do semblante,
Em troca nao te peço mais
Que amar … só um instante.
Do caos, Senhor, apareci
E ao caos voltar espero …
Foi do repouso que nasci,
Repouso é o que mais quero».
– «Hypérion, que foste surgir
Do abismo com um mundo,
Sinais e graça vens pedir
Sem nome e sem fundo;
Queres humana condição,
A deles parecida? …
Pereçam homens, nascerão
Mais homens em seguida.
Tão só goradas ilusoes
Eles aos ventos erguem,
Vagas que morram, multidões
De vagas inda seguem.
Eles só tem astros de azar
E astros de boa sorte,
A nós, sem tempo nem lugar,
É-nos alheia a morte.
Do ontem imortal nasceu
O hoje que perece;
Sol que se apague lá no céu,
Sol novo resplandece;
Como que eterno, vai-se erguer,
A morte atrás lhe corre,
Pois tudo nasce p’ra morrer
E para nascer morre.
Mas tu, Hypérion durarás…
Em teu pousar soberbo
Queres tu espírito sagaz?
Pede o Primeiro Verbo.
Queres que de a boca voz:
Por mor de seus cantares,
Montes e matos leve após
E as ilhas desses mares?
Queres justiça e valor
Mostrar com tua proeza?
A terra em troços vou dispor
A tua realeza.
Nau após nau trago-te aos pés
E hostes, que atravesses
A terra, o mar, de lés a lés
Mas morte nao … nem penses.
Queres morrer – e para quem?
Retorna, lesto voa
E ve o que te aguarda além
Em terra que anda a toa».
Ele como antes tremeluz
Nas matas e nos montes,
De ondas a vaguear conduz
Os ermos horizontes;
Porém, tombando lá do céu,
A vaga já nao corta:
– «Rosto de barro – seja eu
Ou outro – que te importa?
Vos prende a sorte a vossa lei
Do instante fugidio;
No mundo meu perdurarei
Eu, imortal e frio».

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"Poti face tot ce doresti insa nimanui rau" Aleister Crowley FIVEBLUEAPPLES este un spatiu in care studiem si comentam simbolul esoteric , principiile alchimice a celor 5 mistere si autocunoasterea Sinelui. Bazat pe teorii Jungiene incercam sa refacem dand sens explicativ drumului in Legenda Personala urmand simbolulrile Arcanelor Majore ale Tarotului in sens filosofic desigur. FIVEBLUEAPPLES nu este si nu va fi o organizatie sau religie ; este un spatiu care reuneste persoane cu dorinta cunoasterii , cu puterea personalitatii si cu frumusetea interioara indiferent de crez religios ,sex sau nationalitate. Militam pentru armonie, pentru umanism si liberalism si punem egal fara nici cea mai mica diferenta intre femeie si barbat. Consideram ca sec. XXI este secolul reanvierii spiritualitatii si inceputul unei noi ere a marilor Revelatii. Mottoul nostru este: "Faci tot ce doresti dar nimanui rau!" Adm blog . USA : Gabriel Fischer Adm blog Canada: Nina Russell Adm account Australia : Dan Izvernariu